População

O povoamento humano nos Açores teve início por volta de 1439. Segundo os Censos de 2011, residem 246772 habitantes, correspondendo a uma densidade populacional relativamente baixa de 106,3 habitantes por km2.

Clima

O Arquipélago dos Açores possui um clima temperado marinho, caracterizando-se por temperaturas amenas com pequena amplitude térmica anual, humidade relativa do ar elevada e pluviosidade distribuída ao longo do ano, sendo mais abundante nos meses de inverno. É influenciado pelo conhecido «Anticiclone dos Açores».

A temperatura média anual do ar ronda os 17°C, tendo no mês mais quente (agosto) e no mais frio (fevereiro) valores médios de 18-23°C e de 9-14°C, respetivamente. A temperatura da água do mar oscila entre os 14-15°C no mês mais frio (fevereiro) e os 22-24°C no mês mais quente (agosto).

A humidade relativa do ar situa-se nos valores médios anuais de 73 a 87%. A precipitação média anual é de 1930 mm, aumentando com a altitude e de Este para Oeste do arquipélago, entre 966 mm na ilha Graciosa e 2647 mm na ilha das Flores.

Vegetação

O arquipélago é genericamente caracterizado pela floresta natural, vulgarmente designada de «Laurissilva», e pela vegetação com plantas introduzidas, exóticas. Mais de metade do território é utilizado pela atividade agrícola e pela pastagem (ca. 56%). As pastagens são predominantes, ocupando em média 42% da área de cada ilha; a floresta e a vegetação natural ocupam cerca de 35% do território regional, com 22% e 13%, respetivamente; as ilhas das Flores e Terceira são aquelas que apresentam maiores manchas de floresta nativa pura.

Assim, podem ser observados vários tipos de vegetação zonais, conforme a altitude em que se encontram, nomeadamente: zonas com predominância de espécies arbóreas endémicas açóricas ou da Macaronésia, a floresta «Laurissilva», nas altitudes mais elevadas (e.g., louro, cedro-do-mato, folhado, uveira-da-serra, urze ou vassoura); zonas húmidas (charcos e turfeiras) com importantes comunidades vegetais (e.g., musgão, Sphagnum spp.) são predominantes nas zonas altas das ilhas de São Miguel, Terceira, São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo; zonas constituídas maioritariamente por plantações de eucaliptos, criptoméria, pinheiro bravo e matas mistas; zonas de pastagens, englobando as pastagens temporárias (baixa a média altitude) e as seminaturais (média a elevada altitude); zonas de coberto correspondente à orla costeira, onde  predominam plantas de pau-branco, faia-da-terra, urze e herbáceas (e.g., erva-leiteira, Azorina); zonas de culturas agrícolas permanentes (à base de fruteiras, vinhas) e explorações agrárias várias (e.g., hortas familiares, estufas, forrageiras).

A flora dos Açores é composta por cerca de 1000 espécies de plantas vasculares, incluindo plantas com flor ou angiospérmicas (e.g., o louro, Laurus azorica) plantas com estruturas reprodutoras em forma de cone ou coníferas (e.g., cedro-do-mato Juniperus brevifolia), os fetos e plantas afins. Aproximadamente 200 espécies de plantas são nativas (isto é, que colonizaram as ilhas sem intervenção humana e fazem parte da sua vegetação natural), das quais cerca de 80 espécies são endémicas (espécies que evoluíram exclusivamente no arquipélago (e.g., pau-branco, folhado, azevinho, Azorina vidalii)), constituindo um recurso de biodiversidade único dos Açores. As restantes plantas são exóticas, introduzidas pelo ser humano, destinadas à proteção de culturas agrícolas (e.g. incenso), à silvicultura (e.g., matas de criptoméria Cryptomeria japónica) ou como ornamentais (e.g., conteira, alface-gigante), sendo que algumas delas se tornaram invasoras e ocupam grandes áreas da superfície do arquipélago. Os briófitos (incluindo os musgos, hepáticas e antocerotas), abrangendo cerca de 440 espécies e subespécies, constituem outro grupo de plantas de elevada riqueza faunística açoriana.

 

Virgílio Vieira

2018

Biodiversidade

Biodiversidade terrestre em números

A diversidade faunística e florística é muito rica nos arquipélagos da Macaronésia, mas é menor nos arquipélagos geograficamente mais afastados dos continentes (caso dos Açores), o que está certamente relacionado com a distância, a idade geológica e os vários acontecimentos históricos (e.g., vulcanismo, intervenção do ser humano) verificados em cada uma das diferentes ilhas.

Em 2010, o número total de espécies e subespécies terrestres (=taxa) nos Açores foi estimado em 6164, dos quais 452 são endémicos, correspondendo a 7,3% da diversidade total. Note-se que esses números são inferiores àqueles do arquipélago da Madeira, estimados em 7571 taxa terrestres, incluindo 1419 endémicos (19% da diversidade total). Porém, acredita-se que esses valores estão subestimados, dado haver espécies terrestres e marinhas (conhecidas e ainda desconhecidas para a ciência) que poderão elevar tal número para cerca de 10000 espécies e subespécies.

Entretanto, os artrópodes (Filo Arthropoda, que inclui os crustáceos, centopeias e milípedes, ácaros, aranhas e insetos, entre outros animais) apresentam a maior diversidade (2332 taxa), representando cerca de 42% das espécies encontradas nos Açores. Considerando todos os fungos (incluindo os líquenes) e as plantas com sementes (espermatófitas), eles representam o segundo (24%) e o terceiro (18%) grupos mais diversos de organismos nestas ilhas.

No caso dos insetos, os Açores têm menor riqueza específica (1773 taxa) do que a Madeira e Selvagens (3297 taxa). Em particular, os Odonata estão representados por quatro espécies confirmadas para o arquipélago açórico (mais duas esporádicas) e seis espécies para a Madeira e Selvagens, sendo que nenhuma das espécies é especificamente endémica destes arquipélagos. Contudo, Sympetrum nigrifemur é considerado um endemismo da Macaronésia, estando presente na Madeira e Canárias. Por outro lado, nos Açores reside uma «joia biológica», a libelinha Ischnura hastata, a única espécie de odonatos no Mundo com reprodução partenogenética (reprodução exclusivamente por via feminina, na ausência de machos; na natureza insular açórica nunca foram observados machos).

Os animais e as plantas terrestres são os grupos com maior diversidade em endemismos. Com efeito, nos Açores existem pelo menos 266 artrópodes e cerca de 80 plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta) endémicos.

Quanto aos artrópodes, a maior parte deles é exótica (58%). Por outro lado, mais de 60% da flora vascular dos Açores é considerada como exótica, enquanto os mamíferos (exceto os dois morcegos nativos), os anfíbios e os répteis foram introduzidos.

Número total e proporção de espécies e subespécies dos vários grupos de fungos (inclui os líquenes), plantas e animais terrestres do arquipélago dos Açores (adaptado de Borges et al., 2010).

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Conservação da biodiversidade

A educação ambiental facilita os conhecimentos sobre o meio, os valores e competências e também a experiência para atuar na prevenção dos riscos ambientais do presente e do futuro. Neste particular, considerando o número, o grau e a natureza das ameaças de muitas plantas endémicas e nativas, é importante haver a promoção de ações de sensibilização orientadas para a sua proteção, nomeadamente: o controlo e/ou a erradicação de espécies invasoras; a limitação do uso do solo pelo gado em zonas de vegetação nativa; evitar o pisoteio das plantas fora dos locais de visita turística; incremento das populações de efetivo reduzido, através da sua propagação noutros locais (e.g., viveiros); respeitar as populações das espécies endémicas de determinada(s) ilha(s), pois a troca de indivíduos entre ilhas pode perturbar a dinâmica dos mecanismos evolutivos.

Pela raridade, relevam-se três casos de endemicidade associada aos animais. Dentre os muitos insetos endémicos da ordem Coleoptera carecem de especial atenção os coleópteros cegos que vivem nas grutas e cavidades vulcânicas e aqueles que habitam em hotspots com áreas de reduzidas dimensões (e.g. no Pico Alto, em Santa Maria). Ao nível das aves, o priolo Pyrrhula murina, único pássaro endémico terrestre dos Açores, cujo habitat está restingido à parte Nordeste de São Miguel e cuja população rondará os 400-500 indivíduos, tem sido exemplo de medidas de conservação importantes. Também, o diurno e inofensivo morcego-dos-Açores, Nyctalus azoreum, único mamífero endémico do arquipélago, deverá ser alvo de medidas de proteção para se evitar o declínio do seu efetivo populacional e, assim, maximizar o elevado potencial predador de insetos prejudiciais à agricultura e à saúde humana.

 

Virgílio Vieira

2018

Ecossistemas de água doce

Águas superficiais lóticas

Os ecossistemas de água doce desempenham um importante papel, sobretudo na paisagem, no abastecimento de água às populações e como recurso hídrico na produção de energia e na permanência dos canais (levadas) dos moinhos de água.

A hidrologia dos Açores é caracterizada por lagoas, ribeiras, águas de transição, águas costeiras e águas subterrâneas. As especificidades hidrológicas resultam das particularidades geográficas, climáticas e geológicas do arquipélago. O biota desses meios é condicionado pelo grau de permanência da água, havendo geralmente maior diversidade nas massas de água permanentes do que nas do tipo temporário.

Nos Açores, as águas superficiais lóticas de regime permanente (ribeiras) somente existem nas ilhas de Santa Maria, São Miguel, São Jorge, Faial e Flores. As ribeiras são alimentadas por lagoas ou por nascentes de maior caudal, localizadas no interior das ilhas e, no caso de São Jorge, pelas nascentes da costa Norte.

Estão identificadas 736 bacias hidrográficas, sendo que a grande maioria das ribeiras tem área de drenagem inferior aos 10 Km2, são de caudal não permanente e de regime torrencial. Por exemplo, os principais cursos de água permanente na ilha de São Miguel integram as bacias hidrográficas da Ribeira Grande, Ribeira do Guilherme, Ribeira do Faial da Terra, Ribeira do Purgar e Ribeira Quente.

As levadas mais importantes (canais ou aquedutos de água de irrigação que geralmente irradiam dos pontos mais elevados e centrais da ilha) situam-se no Faial e em São Miguel (e.g., Lagoa do Fogo). Os aquedutos ou «muros» de pedra do Carvão e das Nove Janelas (Sete Cidades) são testemunho da arquitetura associada ao abastecimento de água. Por outro lado, os reservatórios de água são monumentais na ilha Graciosa.

As cascatas, quedas de água devidas à disposição natural do terreno ou à ação do ser humano, são comuns nas ilhas (e.g., Santa Maria, São Miguel e Flores).

 

Águas superficiais lênticas

As 88 lagoas constituem-se como massas de água muito importantes para a dinâmica hidrológica das ilhas, visto funcionarem como reserva e como origem da água de alimentação das ribeiras. Encontram-se distribuídas pelas ilhas, nomeadamente de São Miguel, Terceira, Pico, Flores e Corvo. A superfície lacustre dos Açores ocupa 0,4% do território regional (cerca de 9,5 Km2), situando-se cerca de 90% desse valor em São Miguel.

As lagoas dos Açores são massas de água de relativamente pequenas dimensões, variando entre 0,5 e 10 km2 de área. As lagoas maiores estão todas localizadas na ilha de São Miguel: lagoa das Sete Cidades (uma das sete maravilhas de Portugal), das Furnas e do Fogo. Os lagoeiros têm ainda menores dimensões do que um hectare. Os charcos são massas de água parada de carácter permanente ou temporário, de tamanho inferior a uma lagoa e superior a uma poça (pequena massa de água efémera, que normalmente é possível atravessar com um só passo).

As águas de transição são massas de água na situação de transição entre o ambiente terrestre e o ambiente marinho, com características intermédias entre águas interiores e costeiras, sendo influenciadas por água doce. Constituem-se como ecossistemas costeiros únicos, compreendendo lagoas e pântanos. Disso são exemplos as lagoas das Fajãs dos Cubres e de Santo Cristo, na ilha de São Jorge. Os casos dos pântanos de Juncus nas Lajes do Pico e do Pântano do Paul na Praia da Vitória (Terceira) são excelentes lugares de descanso de algumas aves de migração, pernaltas dos Açores.

No arquipélago, as massas de água artificiais encontram correspondência nas lagoas artificiais, criadas pela atividade humana e utilizadas no abastecimento à população (como reforço em épocas estivais) e na atividade agropecuária. Estão identificadas três lagoas artificiais destinadas à atividade agropecuária (ilha de São Miguel – lagoa artificial das Contendas; ilha Terceira – lagoa artificial dos Altares/Raminho; ilha do Faial – lagoa artificial do Faial) e uma como reforço ao abastecimento público (ilha do Corvo – lagoa artificial do Corvo).

Os bebedouros do gado espalhados pelas pastagens das ilhas açorianas também desempenham um papel importante na reprodução dos Odonatos (libélulas), especialmente nas ilhas e regiões onde escasseia a água (e.g., Graciosa). Os fontenários públicos para abastecimento de água abundam nos centros populacionais dos Açores, desde longa data.

A floresta Laurissilva e as turfeiras desempenham um papel relevante no equilibro hídrico das ilhas. Esta floresta, pelas suas caraterísticas hidrológicas, é considerada uma floresta «produtora de água».

 

Virgílio Vieira

2018

A paisagem deslumbrante de azul e verde

A paisagem é marcada pelo azul do mar e das lagoas e o verde dos campos e floresta nas diversas ilhas e evidencia os usos e actividades humanas moldadas ao relevo, associado a uma grande diversidade de formas, pois ele define o zonamento das culturas, da vegetação natural e até o conforto climático necessário aos habitantes dos povoados.

Em geral, até aos 200 metros de altitude, situa-se a maioria dos povoados (território urbano ocupando ca. de 5% do solo concentrado numa faixa junto à costa ou das vias rodoviárias principais) e os terrenos agrícolas, vinhedos e outras fruteiras; segue-se grande parte das pastagens, alguns matos ou matas até cerca dos 400 metros; acima dos 1000 metros correm os matos de altitude. As massas de água doce, maioritariamente lagoas e ribeiras, correspondem a 0,41% da superfície terrestre dos Açores.

 

Virgílio Vieira

2018

Turismo de excelência

Durante muito tempo, os Açores foram uma porta de entrada para pessoas e bens entre a Europa e a América do Norte, estrategicamente localizados no Atlântico Norte. A emigração açoriana para a América do Norte nos séculos XIX e XX originou uma segunda e uma terceira geração de emigrantes descendentes dos Açores e as suas novas famílias alimentam importantes fluxos turísticos dos EUA e do Canadá para os Açores. 

Hoje em dia, os Açores são um destino turístico de excelência, que tem merecido reconhecimento ao nível internacional, com a atribuição de diversos prémios e distinções. Com a entrada em vigor de um novo modelo de acessibilidades à Região em março de 2015, verificou-se um impulso significativo no número de entradas de turistas, estimulando a abertura de novos empreendimentos e negócios turísticos. O número total de dormidas aumentou de 1.231.247 para 2.384.687, entre 2014 e 2017, representando uma taxa média de crescimento anual de 24,7% (Observatório do Turismo dos Açores, 2017). Os proveitos totais na hotelaria registaram igualmente aumentos significativos. Tal veio dinamizar a economia local, aumentar o relacionamento intercultural, interna e externamente, e sensibilizar os habitantes locais para a necessidade de se manter a sustentabilidade do turismo e um ambiente amigável num nível elevado. Subjacente está a mobilização de bons recursos humanos existentes (bons serviços), as belezas das paisagens que a mãe Natureza oferece, a tranquilidade, a segurança, a gastronomia, os trilhos pedestres, as atividades lúdicas (i.e., observação de baleias e golfinhos, pesca), o valioso património construído e a cultura.

Os Açores foram considerados o local mais belo do mundo (National Geographic Traveler, 2016), o Hawai da Europa (Naves, 2018), um dos dez destinos turísticos mais sustentáveis ​​do mundo e o melhor destino do Atlântico (Destinos Verdes, 2018), um dos cem destinos mais sustentáveis ​​do mundo e o primeiro da Europa (TravelMole, Vision on Sustainable Tourism, Totem Tourism, & Green Destinations, 2014) e uma das 7 maravilhas à mesa (Diário da Lagoa, 2018).

A Associação dos Geoparques dos Açores criou novos serviços, escalas e produtos interpretativos, implementando um geoturismo de qualidade na região, em estreita ligação com outros aspectos do turismo de natureza (i.e., associação dos Açores a um destino de natureza intacta) e espera-se que os Açores sejam o primeiro arquipélago do mundo a ter o selo do Conselho Global de Turismo Sustentável, já em 2019 (Jornal Expresso, 2017).

Ana Isabel Moniz, Sheila Furtado e Carlos Santos

2018

Para mais informações sobre o turismo nos Açores, clique no seguinte link:

https://www.visitazores.com/pt

 

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