Vegetação

O arquipélago é genericamente caracterizado pela floresta natural, vulgarmente designada de «Laurissilva», e pela vegetação com plantas introduzidas, exóticas. Mais de metade do território é utilizado pela atividade agrícola e pela pastagem (ca. 56%). As pastagens são predominantes, ocupando em média 42% da área de cada ilha; a floresta e a vegetação natural ocupam cerca de 35% do território regional, com 22% e 13%, respetivamente; as ilhas das Flores e Terceira são aquelas que apresentam maiores manchas de floresta nativa pura.

Assim, podem ser observados vários tipos de vegetação zonais, conforme a altitude em que se encontram, nomeadamente: zonas com predominância de espécies arbóreas endémicas açóricas ou da Macaronésia, a floresta «Laurissilva», nas altitudes mais elevadas (e.g., louro, cedro-do-mato, folhado, uveira-da-serra, urze ou vassoura); zonas húmidas (charcos e turfeiras) com importantes comunidades vegetais (e.g., musgão, Sphagnum spp.) são predominantes nas zonas altas das ilhas de São Miguel, Terceira, São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo; zonas constituídas maioritariamente por plantações de eucaliptos, criptoméria, pinheiro bravo e matas mistas; zonas de pastagens, englobando as pastagens temporárias (baixa a média altitude) e as seminaturais (média a elevada altitude); zonas de coberto correspondente à orla costeira, onde  predominam plantas de pau-branco, faia-da-terra, urze e herbáceas (e.g., erva-leiteira, Azorina); zonas de culturas agrícolas permanentes (à base de fruteiras, vinhas) e explorações agrárias várias (e.g., hortas familiares, estufas, forrageiras).

A flora dos Açores é composta por cerca de 1000 espécies de plantas vasculares, incluindo plantas com flor ou angiospérmicas (e.g., o louro, Laurus azorica) plantas com estruturas reprodutoras em forma de cone ou coníferas (e.g., cedro-do-mato Juniperus brevifolia), os fetos e plantas afins. Aproximadamente 200 espécies de plantas são nativas (isto é, que colonizaram as ilhas sem intervenção humana e fazem parte da sua vegetação natural), das quais cerca de 80 espécies são endémicas (espécies que evoluíram exclusivamente no arquipélago (e.g., pau-branco, folhado, azevinho, Azorina vidalii)), constituindo um recurso de biodiversidade único dos Açores. As restantes plantas são exóticas, introduzidas pelo ser humano, destinadas à proteção de culturas agrícolas (e.g. incenso), à silvicultura (e.g., matas de criptoméria Cryptomeria japónica) ou como ornamentais (e.g., conteira, alface-gigante), sendo que algumas delas se tornaram invasoras e ocupam grandes áreas da superfície do arquipélago. Os briófitos (incluindo os musgos, hepáticas e antocerotas), abrangendo cerca de 440 espécies e subespécies, constituem outro grupo de plantas de elevada riqueza faunística açoriana.

 

Virgílio Vieira

2018